A obra “O Brasil é judaico?” apresenta uma instigante investigação histórica sobre a presença e a influência dos cristãos-novos na formação do Brasil. Resultado de mais de três décadas de pesquisa em documentos originais, especialmente nos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, onde o estudo revela trajetórias pouco conhecidas de homens e mulheres perseguidos pela Inquisição que chegaram à América portuguesa em busca de sobrevivência e liberdade. Ao revisitar o contexto da Inquisição na Península Ibérica e suas consequências, o livro demonstra como judeus convertidos e seus descendentes participaram ativamente do povoamento, da economia e da vida social do Brasil colonial. Bandeirantes, comerciantes, médicos, navegadores e exploradores de minas figuram entre os personagens que ajudaram a construir a sociedade brasileira, mesmo sob constante vigilância da Igreja. Com base em processos inquisitoriais e ampla documentação histórica, a autora identifica milhares de vítimas da perseguição em diversas regiões do país, revelando uma rede de migrações e adaptações culturais. Mais do que recuperar histórias esquecidas, esta obra convida o leitor a refletir sobre as origens plurais do Brasil e sobre como a intolerância religiosa marcou profundamente a formação da sociedade colonial.
Autora:
Neusa Fernandes é uma historiadora brasileira especializada em história colonial e no estudo da Inquisição portuguesa no Brasil. É doutora e mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Realizou pós-doutorado em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e também pós-doutorado em Museologia e Patrimônio pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Ela ocupa papel relevante em instituições históricas: Ex-Presidente e benemérita do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro (IHGRJ). Sócia-fundadora, efetiva e benemérita do Instituto Histórico e Geográfico de Vassouras (IHGV). Sua produção acadêmica concentra-se na investigação da presença da Inquisição portuguesa e dos cristãos-novos no Brasil, utilizando extensa documentação histórica. Em suas pesquisas, analisou mais de mil processos inquisitoriais e manuscritos preservados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, o que fundamenta suas obras sobre o tema. Entre suas principais obras destacam-se: A Inquisição no Rio de Janeiro; A Inquisição em Minas Gerais no século XVIII; A Inquisição em Minas Gerais: processos singulares; Eufrásia e Nabuco; Organização de livros como Cantos e Encantos do Rio e Biografias e Trajetórias. Seu trabalho é considerado de relevante importancia para o estudo da história dos cristãos-novos, da presença judaica e das perseguições inquisitoriais no Brasil colonial, além de contribuir para pesquisas genealógicas e de origem portuguesa de descendentes no Brasil.




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